Conhecimento, Transformação e Formação Humana

Podemos pensar sobre este assunto, enquanto base epistemológica, como algo complexo. Porém, a ideia desta postagem é tentar transcrever as proposições trazidas pelos autores Ricardo Antunes e Antônio Gramsci e são aplamente utilizadas como conceito basilar da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica.

O que é o trabalho? Uma forma de ganhar a vida ou algo muito maior? Trago uma abordagem sobre o trabalho como parte central da vida humana, a partir das ideias do sociólogo Ricardo Antunes e do filósofo Antonio Gramsci. A proposta é refletir como o trabalho vai além da atividade econômica, sendo também meio de transformação da sociedade, de construção do conhecimento e de formação das pessoas.

Para Ricardo Antunes, o trabalho continua sendo o elemento central da sociedade contemporânea, mesmo que muitas teorias recentes tenham tentado minimizar seu papel. Ele defende que é através do trabalho que o ser humano transforma a natureza, produz os bens que garantem a vida e se constitui como ser social. É o trabalho que conecta o mundo natural com o mundo humano, sendo base de qualquer forma de sociabilidade e da estruturação das classes sociais. Por isso, entender o mundo do trabalho é entender a forma como vivemos em sociedade.

O trabalho é conceituado, na sua perspectiva ontológica de transformação da natureza, como realização inerente ao ser humano e como mediação no processo de produção da sua existência. Essa dimensão do trabalho é, assim, o ponto de partida para a produção de conhecimentos e de cultura pelos grupos sociais.

(Brasil, 2012, p. 14).

Já Antonio Gramsci, em sua obra Cadernos do Cárcere, vê o trabalho como princípio educativo. Para ele, educar vai além de ensinar conteúdos: é formar sujeitos capazes de pensar, decidir e agir com consciência no mundo. O trabalho, nessa visão, tem um papel formador: ele desenvolve habilidades, amplia a visão de mundo e prepara indivíduos para atuarem de forma crítica e responsável nas transformações sociais. Gramsci acredita que a escola deve proporcionar uma formação completa, unindo cultura geral, ciência, técnica e valores, formando não só trabalhadores, mas também dirigentes sociais e cidadãos ativos.

O caráter teleológico da intervenção humana sobre o meio material, isto é, a capacidade de ter consciência de suas necessidades e de projetar meios para satisfazê-las, diferencia o ser humano dos outros animais, uma vez que estes não distinguem a sua atividade vital de si mesmos, enquanto o homem faz da sua atividade vital um objeto de sua vontade e consciência.

(Brasil, 2012, p. 14).

Unindo as ideias desses dois pensadores, percebemos que o trabalho deve ser valorizado em sua dimensão humana, cultural e social, e não apenas como uma obrigação produtiva. Ele é base de construção da identidade, do conhecimento e da autonomia. É por meio do trabalho, entendido em seu sentido mais amplo, que se constroem indivíduos conscientes, sociedades mais justas e uma educação verdadeiramente transformadora.

Saiba um pouco mais sobre Mundo do Trabalho, no vídeo abaixo, Ricardo Antunes Ricardo participou de uma conferência internacional em Portugal sobre seu clássico “Os sentidos do trabalho”

Leituras de Referência

ANTUNES, R. L. C. Os sentidos do trabalho : ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. São Paulo (Sp): Boitempo, 2009.

‌GRAMSCI, A. Cadernos do cárcere (Vol. 2): Os intelectuais, o princípio educativo, jornalismo. [s.l.] Rio De Janeiro Civilização Brasileira; 9ª edição, 2022.

BRASIL MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, Parecer CNE/CEB n. 11/2012, de 09 de setembro de 2012Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio. Brasília, 2012. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=125761-pceb011-12-1&category_slug=setembro-2019&Itemid=30192 Acesso em 12 de ago. 2024.