Educação para a Emancipação Humana

O que é omnilateral? Nesta postagem, trago uma síntese para tentar aproximar, de forma simplificada, este conceito basilar da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Para tanto, vamos retomar os autores, Karl Marx, Antonio Gramsci e Luigi Manacorda e entender um pouco mais sobre isso.

A ideia de omnilateralidade, concebida por Karl Marx e aprofundada por pensadores como Antonio Gramsci e Luigi Manacorda, aponta para um modelo de formação humana que vai muito além das exigências do mercado ou da mera especialização técnica. Em oposição à unilateralidade imposta pelo sistema capitalista, que separa o trabalho intelectual do manual e restringe o desenvolvimento humano às necessidades da produção, a omnilateralidade propõe o desenvolvimento completo e multilateral das capacidades humanas. Nessa perspectiva, o trabalho deixa de ser um fim em si mesmo para se tornar o meio por excelência de emancipação e humanização, articulando teoria e prática, ciência e técnica, sensibilidade e razão.

Na visão marxiana, a verdadeira liberdade só pode ser alcançada por meio da transformação radical das relações sociais, permitindo a cada indivíduo manifestar plenamente suas potencialidades em múltiplas dimensões: sensorial, cognitiva, emocional, cultural e produtiva. Trata-se de uma formação que se realiza não apenas nas esferas produtivas, mas também na ampliação do tempo livre e no acesso igualitário aos bens materiais e espirituais da civilização.

Para isso, é necessário romper com a lógica da divisão social do trabalho, que fragmenta o saber e relega os filhos da classe trabalhadora às posições subalternas. A escola, nesse contexto, deve assumir a tarefa de ser o espaço da formação unitária e politécnica, que prepara não apenas para o mundo do trabalho, mas, sobretudo, para a vida em sociedade, de forma crítica, consciente e criativa.

“manifestação plena e total de si mesmo, independente das ocupações
específicas que cada indivíduo exerce” (MANACORDA, 2010, p. 48)

A formação omnilateral não é um modelo pronto, mas um horizonte ético e político a ser construído coletivamente, com base na justiça social, na universalização do conhecimento e na valorização de todas as formas de saber. É, portanto, um projeto de educação verdadeiramente transformador, comprometido com a superação das desigualdades e com a formação de sujeitos históricos plenos, capazes de compreender e transformar o mundo em que vivem.

Assim, entender omnilateralidade é reafirmar o compromisso com uma educação emancipadora, que se oponha à reprodução das desigualdades sociais e à fragmentação do conhecimento. Ao colocar o ser humano no centro do processo educativo, em sua totalidade e complexidade, essa perspectiva se torna componente fundamental para reduzir as desigualdades através da educação e construção de um novo arranjo social, na qual o saber e o trabalho não sejam instrumentos de dominação, mas meios de libertação e desenvolvimento integral.

Complexo?! Vamos tentar entender um pouco mais com o vídeo produzido pelo IFRO Campus Porto Velho Zona Norte

Leituras de Referência

SAVIANI, D. Trabalho e educação: fundamentos ontológicos e históricos. Revista Brasileira de Educação, v. 12, n. 34, p. 152–165, Abr. 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/wBnPGNkvstzMTLYkmXdrkWP# Acesso em: 30 de jun. 2024.

ANTUNES, R. Os Sentidos do Trabalho: Ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. 2 ed. Boitempo Editorial, 2009. 264 p. ISBN 8575592599.

CIAVATTA, M. O Ensino Integrado, a Politecnia e a Educação Omnilateral. Por Que Lutamos?. Trabalho & Educação, v. 23, n. 1, p. 187–205, 2014. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/trabedu/article/view/9303 Acesso em: 04 ago. 2024.

MANACORDA, M. A. et al. Marx e a pedagogia moderna. São Paulo: Cortez, 2000.

MANACORDA, M. A. Il marxismo e l’educazione. 1 ed. Editora Armando Armando, 1964. 271 p. ISBN 8860813875.